Valquíria Vita

Valquíria Vita em seu casamento.

Anos atrás, eu estava entrevistando um fotógrafo de casamento para uma revista, quando ele me disse que adorava o trabalho dele, porque podia eternizar aquele momento que era o “o sonho de toda mulher”. Quando eu respondi que “casamento não era o meu sonho”, ele ficou surpreso. 

E, de fato, casamento nunca esteve nos meus planos. Meu desejo sempre foi viajar. De alguma forma, os acontecimentos da minha vida (que têm sido bem generosa comigo) me proporcionaram as duas experiências: casar durante uma viagem. 

Há 14 anos, eu e o Carlos nos conhecemos numa eleição, e, desde lá, viramos melhores amigos (teve idas e vindas amorosas no meio desse tempo todo). Até que três anos atrás, quando eu voltei a morar no Brasil, após um intercâmbio, decidimos ir morar juntos. Na noite do meu aniversário de 2018, ele me deu um anel. Há diferentes versões para essa história: eu digo que ele me pediu em casamento, ele diz que só me deu um anel — por que já éramos casados. O fato é que ficamos noivos naquela noite. E eu me tornei, imediatamente, a pessoa que nunca achava que seria: a noiva que só fala no casamento. 

Naquela mesma noite, já ficou decidido que o casamento não seria nada grandioso e que não seria aqui (não queríamos nada de jantar, festa, familândia, etc). Seria em Las Vegas (não lembro bem como chegamos à essa conclusão, mas provavelmente foi mais uma das minhas ideias impulsivas que ele topou). Era para ser um casamento simples. Eu e ele. O ministrante. A capelinha. Vegas. That’s it. 

Óbvio que acabou não sendo assim. Com um ano e meio de planejamento, reunimos 15 convidados (entre amigos brasileiros, americanos e paraguaios) que toparam ir até Vegas; organizamos celebração (teve limousine!) e vestido Ana Dotto sob medida. Sim, as coisas aumentaram um pouco de proporção. “It was the dress”, como diz a Carrie no filme Sex And The City: o vestido aumentou a coisa toda. 

Muitos meses (e digo muitos sem exagero) antes de casar eu já estava sentada no Ana Dotto Atelier imaginando e desenhando com ela como seria o meu vestido. Há anos sou a social media da Ana e entrevisto noivas para o blog e redes sociais do atelier, então a sensação era de “finalmente chegou a minha vez de ver se era tudo aquilo mesmo que elas falavam”. E era, claro. 

Inspirado num modelo de Brigitte Bardot no filme La Parisienne, a Ana construiu um vestido curto (para combinar com o local da cerimônia), com a parte de cima corseletada (algo que o atelier nunca tinha criado, mas conseguiu executar perfeitamente) e costas decotadas (ideia da Ana). A cada prova, eu levava uma companhia diferente comigo e, em todos os encontros, a Ana me recebeu com bom humor, animação e paciência (e vejam bem, não escrevo aqui como social media dela, mas como cliente que fui). No último dia, ela embalou pessoalmente o vestido na mala de mão que eu levaria até os Estados Unidos.         

Como noiva, o Ana Dotto Atelier superou todas as minhas expectativas (que já eram altas), entregando um vestido impecável. Como parceira de trabalho e amiga da Ana, foi super especial ter contado com o talento dela para o meu casamento — que não era um sonho. Mas acabou sendo tão perfeito quanto. 

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