“A perfeição não existe”- Entrevista com Daiana Garbin

Estava calor no dia em que a jornalista Daiana Garbin visitou o Ana Dotto Atelier. Ela usava um vestido jeans curto e scarpins. “Quando eu era mais nova eu não tinha coragem de mostrar as pernas, nem nos dias de calor, porque ficava com vergonha das minhas pernas muito brancas e com marquinhas”, contou Daiana, explicando que com o passar dos anos, começou a sentir-se mais segura para fazer o que deveria ser óbvio (e simples): sair de saia ou de shorts em dias quentes.

Para a maioria das mulheres, ela concorda, essa não é uma atitude fácil (nem simples). “Nós somos as nossas piores inimigas, a mulher é a sua pior crítica, o seu pior carrasco” diz. “O que as mulheres mais precisam é compaixão, respeito, bondade e carinho com elas mesmas. Nós nos cobramos muito, nós nos exigimos a perfeição, ser a namorada perfeita, a mulher perfeita, a mãe perfeita, a estudante e a profissional perfeita. A gente quer ser melhor em tudo e isso gera muito sofrimento, porque perfeição não existe. Quando ela acha que precisa ser perfeita, ela nunca vai ser feliz. Se é perfeito é máquina, é fabricado. E nós somos vulneráveis, as coisas dão errado, nós falhamos. A gente esqueceu disso e acha que tem que estar tudo perfeito. E isso gera muita frustração e gera autojulgamento: a mulher se julga e acaba julgando outras mulheres.”

A jornalista, que é autora do livro “Fazendo as pazes com o corpo”, disse que recebe mensagens de mulheres de todos os tipos físicos: “Mensagens de mulheres muito magras que odeiam o corpo porque queriam ter curvas e das cheinhas que queriam ser magras. Vemos todo o tipo de insatisfação com o corpo. Mas não depende da forma física. Dentro dela está morando uma insatisfação muito grande e precisamos diminuir essa voz tão crítica. Porque toda mulher tem a sua beleza, e o mais importante: você é mais do que beleza, muito mais do que a sua aparência, você é a sua capacidade intelectual, empatia, alegria, tudo isso é mais importante do que a casca. A hora que tirarmos nosso valor da aparência e entendermos que somos humanas, falhamos e temos dores, vamos aceitar e acolher a nossa vulnerabilidade, e eu tenho certeza que esse é caminho para uma vida mais feliz e tranquila”.

Daiana esteve em Caxias em março para a Confraria da Mulher (que teve desfile de vestidos Ana Dotto) e palestrou sobre o tema do seu livro. No dia em que visitou o atelier, experimentou o vestido Ana Dotto feito especialmente para ela usar no evento. Optou por um modelo minimalista preto, de crepe, com corte limpo. E com as pernas de fora.

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